quarta-feira, 19 de junho de 2013

Maiorias e minorias


Maiorias e minorias




Hoje, com as manifestações que assistimos temos uma impressão que conseguimos interpretar o sentimento da maioria do povo brasileiro.

É impressionante ver nas ruas manifestação com uma grande massa, a exemplo de São Paulo, que reuniu cerca de 65.000 manifestantes (dados do ESTADÃO).

Contudo, algumas informações não podem passar desapercebidas, como demonstro nos argumentos a seguir.

Nas eleições de 2012, para prefeito desta mesma cidade, que conta com 8,6 milhões de eleitores, as manifestações de votos nulos, abstenções e votos em branco chegaram a 31,59%. Vejam o quadro abaixo:

São Paulo
Ano Eleitorado Absenções Votos em branco Votos nulos Manifestantes 2013
2012 8.619.170 1.722.880 (19,99%) 299.224 (4,34%) 500.578 (7,26%) 65.000 (0,75%)

Para muitos paulistas, a sensação é que o GIGANTE ACORDOU, contudo, 99,42% das células deste gigante continuaram dormindo.

Não se assustem, isto é a democracia, em todo lugar é assim, como vou mostrar.
Voltando as eleições de São Paulo, posso ilustrar ainda outro fato. O vereador menos votado na cidade, tirou individualmente 8.722 votos (0,1% dos eleitores).

Isto significa dizer que 8.610.448 milhões não o escolheram. Seria ele um representante do povo? Da maioria? Não, claro que não.

O que ocorre é que, ORGANIZADAMENTE, o partido que ele milita (Psol) conseguiu um numero de votos suficiente para ocupar uma cadeira da Câmara.

E é sobre esta organização que me refiro. O movimento deixa evidente a falta de um foco organizado. Já tem gente com cartaz contra a presidente, contra o governador contra o prefeito, sendo que só o prefeito tem a prerrogativa de fixar a tarifa de transporte público. (Nem vou citar a quantidade de outras bandeiras)

Tem pessoas pedindo por tudo, e quando algo se define pelo tudo, acaba se definindo pelo nada também. O País não precisa de uma massa sem rumo, que sabe muito bem o que não gosta e o que não quer. Um país não se constrói com frases de efeito. Os políticos tradicionais já fazem isso.

Toda a intenção por trás do movimento é legítima, contudo, sou cético em relação ao movimento e suas possibilidades de mudanças efetivas.

Parte-se do princípio que uma massa nas ruas pode mudar a realidade. Mas convenhamos, se a grande maioria tem mesmo esta “força”, porque esta força não consegue paralisar a minoria de vândalos que prejudica o movimento? Queremos mudar um país mas não conseguimos paralisar um pequeno grupo de extremados?

Tenho fé que este movimento que possui uma face linda, (e algumas manchas indisfarçáveis), não se enfraqueça e se reduza a um simples período como aconteceu com o Movimento “fora Collor”, mas se constitua, com o tempo, em diversos grupos organizados, com caráter permanente para qualificar a atuação da sociedade na fiscalização e na construção de um projeto novo, mas acima de tudo democrático.

E agora, se você é daqueles que vive dizendo que políticos são todos iguais e que nenhum presta, você se iguala aos que dizem que manifestantes são todos iguais, são todos Vândalos. Pensem nisso!

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