quinta-feira, 19 de abril de 2012

1992 - 2012 e “Corrupção”.

Há quase vinte anos atrás, o Brasil pela primeira vez na história, derrubava um presidente sem disparo de nenhum tiro. Motivo: Dito presidente que se elegeu com a marca de combate à corrupção (caçador de marajás) foi denunciado pelo próprio irmão por envolvimento com esquemas de corrupção.

Para desavisados, isto poderia representar que lá atrás e hoje, teríamos um mesmo cenário, mas quero demonstrar as diferenças dos dois períodos, pois muitos que hoje falam pelos cotovelos, na época eram crianças ou nem eram nascidos.
Enquanto em 1992 a inflação anual chegava aos desmedidos 1.149,05% hoje temos como meta para 2012, 4,5%.

Naquela época, a preocupação central da população era a perda diária do poder aquisitivo. Dentro de um dia um produto era aumentado até mais de duas vezes, sendo que o salário 
apenas era reajustada uma vez ao mês, e nunca acompanhava as perdas.

Hoje isto é coisa do passado! Temas recorrentes hoje são copa do mundo , se vamos ou não passar vergonha, apagão aéreo, corrupção,  etc...

Em 1992, um brasileiro de classe média nem sonhava em uma viagem de avião. As manchetes eram as rodoviárias lotadas em feriados, hoje são os aeroportos. Quem diria!
Telefone era declarado em Imposto de renda e valia o preço de um terreno. Hoje, tem crianças de 12 anos que carregam um no bolso.

Hoje podemos falar de corrupção e dizer que o governo cobra muitos impostos e não faz nada. Vinte anos atrás rezávamos para que o governo nos salvasse da inflação e aceitávamos tudo para garantir um emprego e o pão na mesa. Se hoje podemos nos preocupar com corrupção é porque na história deste país alguém fez alguma coisa. Hoje Presidentes de Tribunal de Justiça e políticos famosos são presos, ou pegos nas câmeras ocultas da vida. No passado eram professores universitários que falavam mal do governo militar durante suas aulas, e no dia seguinte desapareciam.

Não acredito que a corrupção aumentou. Acredito que a percepção aumentou, e de alguma forma, aquela diminuiu. Caso contrário, não teríamos as taxas de inflação e de emprego de hoje. Hoje o governo viabiliza moradia para população carente a R$ 50,00 por mês. Em 1992, eu internaria quem dissesse uma blasfêmia dessas.

E apesar disso em 1992 eu era milionário.... Olha minha CTPS para provar:

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terça-feira, 10 de abril de 2012

Preconceito

Esta manhã presenciei uma cena intrigante, e que geraria um debate de semanas.

Estava eu tomando café em uma padaria, e noutra mesa, um caminhoneiro já estava quase terminando seu desjejum quando me sentei para começar meu primeiro lazer matinal.

Depois de uns minutos, vi uma atendente correr para a saída, quando pelos comentários constatei que o caminhoneiro aproveitou um cochilo geral e tratou de sair sorrateiramente e sem pagar. R$ 3,00 pelo que ouvi.

Outro cidadão que lanchava na mesa ao lado comentou:

- A placa era do interior do Paraná!

Não deu outra! Uma tendente lascou em seguida:

- Tá explicado!

Quase engasguei nessa hora! Me lembro quando vim morar em Jaraguá do sul, no milênio passado, quando a população era de 70.000 habitantes e o que mais se ouvia eram frases deste tipo discriminando os paranaenses.

Quase vinte anos depois, já com o dobro da população, me espanta constatar que o preconceito continua nos bastidores e nas mentes da raça pura.


Outro cliente chegava naquele instante e teve o desagrado de perceber o que havia ocorrido e ouvir a pérola, e respondeu:


 - O que dizer então dos catarinenses que também fazem a mesma coisa?


Pelo que vi, este segundo cidadão, que nada tinha a ver com o peixe, era de origem paranaense, e eu, no lugar dele teria virado as costas e ido embora. Não sem pagar, mas sem comprar.


Lá eu não volto. Pena que o lanche era gostoso, mas não me alimento só de pastéis.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Assertividade e proatividade

Tenho acompanhado diversos debates em torno da política em nossa cidade e vejo pessoas tentando dar à ela uma nova feição, fundada em idéias e propostas, enquanto outros, as vezes com razão, aproveitam os espaços para criticar e apontar culpados.

Questiono até que ponto é necessário para o crescimento da cidade apenas se laventar uma visão crítica e extremada, temperada com ataques a quem quer que seja, apontando que tudo está mal, com uma carga demasiada de pessimismo?

Quando me deparo com posicionamentos inflexíveis, de oito ou oitenta, confesso que não me concentro nos argumentos em si, mas na postura. Para mim, um debate pode até ser vencido por quem tem razao, mas o que este "ter razão" trará de construtivo? Muitas vezes só serve para alimentar o ego, e na verdade mascara e tenta legitimar um autoritarismo nem tão oculto.

Não basta se ter razão. De nada vale ganhar um debate e provar que se tem razão, se nesta louca busca de dialética o outro sai destruído. Prefiro a alteridade. Prefiro me posicionar no lugar do outro e procurar entender seu raciocínio. Prefiro tratar o adversário como adversário e não como inimigo.

Muitos dizem aplicar o método de Sócrates, contudo o fazem da forma errada! Nunca vi alguém sair de uma discussão convencido da idéia do outro e abraçando a luta do outro. Geralmente o embate acirrado de idéias só constrói mais distanciamento.

Precisamos de assertividade e proatividade. De ponderação na hora de defender idéias sem causar divisões desnecessárias, e de capacidade de colocar as idéias em prática e testá-las como método de convencimento e adesão. De nada adianta se limitar a apontar erros e culpados. Mais que isso precisamos de soluções!