quarta-feira, 14 de setembro de 2011

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Chegou em minhas mãos a revista da Administração Pública Municipal, intitulada CONSTRUIR PARA CRESCER.

Na primeira página, a seguinte inscrição:
“Esta revista apresenta obras que PODERÃO estar concretizadas até 2013. No entanto, as imagens aqui apresentadas tem caráter meramente ilustrativo.”

Não faço aqui, apesar de merecer, qualquer crítica ás imagens fantasiosas e desconectadas da realidade que são o “recheio” da referida publicação. Nem sequer vou me ater aos diversos AUDI nas garagens. Não! Vou me limitar ao caráter público das despesas, frente aos princípios constitucionais.

A Administração pública, no que tange à publicidade, não possui ampla liberdade tal como a iniciativa privada. A Constituição indica que “A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos.” [1]

Na referida publicação, não se pode dar conotação de caráter educativo, até porque nela as lições subliminares ficam tão subliminares que dependem totalmente da interpretação.

Também não vemos qualquer cunho de orientação social, pois nenhuma linha se dedica a explanar os critérios e o modo de acesso aos programas habitacionais do município.

Informação! Seria este o objetivo? Mas como posso ser informado com antecedência de, talvez, quem sabe, dois anos? Lembramos o verbo utilizado na frase inicialmente transcrita: PODERÃO. Por decorrência lógica, tudo aquilo que pode ser, tem as mesmas chances de poder não ser (1ª Lei de Nilton da Dependeologia).

Ainda, imagens meramente ilustrativas, não são informações e sim sonhos, que, novamente, podem ou não ser reais, dependendo de um cem numero de fatores.

O mais terrível é encontrado na página central, ou seja, um auto retrato típico da Administração, e da fragilidade de nosso  futuro. A frase e a  imagem falam por sí só.



Continuemos a pensar.


[1] Constituição Federal, art. 37, § 1º.

3 comentários:

  1. ahahahahaha
    Nestas horas observo que não estou só.
    Há uma luz no fim do túnel!
    Mas faltou mencionar a gráfica que realizou o impresso. Está lá no expediente, nacaruda, na lata, na tampa!

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  2. Grafica 22, doadora de campanha e de propriedade da família. Desculpe o lapis.

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  3. Como vcs são maldosos.
    A Gráfica 22 tá no nome de quem?

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