segunda-feira, 28 de março de 2011

O VOTO EM LISTA


Mesmo antes de dezembro de 1979, quando retornou ao cenário brasileiro o pluripartidarismo, as eleições são marcadas principalmente pelo voto direto onde o centro do ato de votar se encontra no indivíduo (exceto em eleições indiretas para presidente e golpe militar) O eleitor de um lado e o candidato de outro. Os partidos políticos são encarados pelo senso comum como um mal necessário, que para a grande maioria da população nem precisaria existir, tamanho seu desconhecimento e sua distância.

A democracia, como forma de organização política, onde a população (demos) tem o poder (kratos) de tomar as decisões, sempre teve como única alternativa a eleição de um líder. Uma espécie de herói e salvador, cuja honestidade e competência (muitas vezes apenas o primeiro atributo) se bastariam para resolver os problemas brasileiros.

Vivemos na política um cenário curioso, pois ao contrário do senso comum, na prática, as soluções nunca dependem exclusivamente de uma pessoa. Por exemplo:  Uma presidenta, se cerca de ministros e um cem número de cargos de livre nomeação. Isto vale para Governadores e prefeitos, ressalvadas as proporções.

Mais estranho ainda quando se tratam de cargos parlamentares (Federais, Estaduais e Vereadores). O Voto de todos os que os elegeram foi direcionado para uma pessoa, contudo, para que uma ideia, projeto ou benefício possa ser efetivado, precisa-se de fato da maioria simples e as vezes qualificada, dependendo da matéria, o que não se alcança com apenas uma pessoa.

O processo eleitoral, ainda, cria mais outra dependência do coletivo, pois nunca um candidato consegue número de votos suficiente para se eleger sem o auxílio da legenda (votos recebidos pelos demais candidatos de seu partido).

Por isso, a importância dos partidos políticos, e por isso a necessidade de se educar os cidadãos para esta importância. Não existem heróis, muito embora esta seja uma verdade inconveniente, pois somente se mostrando como heróis os candidatos recebam o voto popular.

A evolução da democracia precisa romper este circulo vicioso de falsas promessas e de baixa qualidade de candidatos e de eleitores. Precisamos fortalecer os partidos políticos sim, pois se uma figura pública não puder ter compromisso com um grupo pequeno como o partido político, também não terá compromisso com a sociedade, e se a sociedade não conseguir transformar estes pequenos grupos para melhor, ela própria também não evoluirá.

Por isto, nossa democracia se prepara para discutir o voto em lista, onde se deixará de votar em uma pessoa para votar em um time, e em um coletivo. A princípio, a resistência será grande, como qualquer resistência à mudanças, mas se pararmos para pensar no que é de fato melhor e mais verdadeiro, sem querer apenas agradar ao senso comum, muitos acabarão por defender esta proposta.

Pense nisso!

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